93 anos da EPM:
Escola Paulista de Medicina celebra legado de vanguarda e olhar para os desafios globais da saúde
Escola Paulista de Medicina celebra legado de vanguarda e olhar para os desafios globais da saúde
*Por Magnus Dias e Fabrício Leonardi
Fundada em 1º de junho de 1933, a EPM construiu uma trajetória ligada à formação em saúde, à pesquisa, ao Hospital São Paulo e à origem da Unifesp
A Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp) celebrou, em 1º de junho de 2026, seus 93 anos de história. A data foi marcada pela realização da Congregação de Celebração EPM 93 anos (ocorrida em 02/06/2026), que reuniu docentes, estudantes, técnicos-administrativos, gestores e representantes da comunidade acadêmica para refletir sobre a trajetória da instituição e os desafios que se colocam em sua aproximação com o centenário.
A sessão teve como foco o presente e o futuro da EPM, sem deixar de reconhecer os marcos que constituem sua memória institucional. Fundada em 1933, a escola nasceu da mobilização de médicos, cientistas e estudantes pela ampliação do ensino médico em São Paulo. Seu Manifesto de Fundação foi publicado em 1º de junho daquele ano, nos jornais O Estado de S. Paulo e Folha da Noite.
Ao longo de mais de nove décadas, a EPM consolidou uma trajetória ligada à formação de profissionais da saúde, à produção científica e à assistência à população. Um dos principais marcos desse percurso foi a criação do Hospital São Paulo, cuja pedra fundamental foi lançada em 1936. O hospital, que teve o Pavilhão Maria Thereza Azevedo inaugurado em 1937 como sede provisória, tornou-se parte central do projeto acadêmico da escola, articulando ensino, cuidado e pesquisa.
Durante a Congregação de Celebração, a direção da EPM destacou que a efeméride não representa apenas a preservação de uma história construída coletivamente, mas também uma oportunidade para pensar os próximos passos da instituição diante das mudanças na saúde, na ciência, na educação médica e nas demandas da sociedade.
A EPM foi reconhecida oficialmente em 1938 e federalizada em 1956. Nas décadas seguintes, ampliou sua atuação na formação em saúde, com iniciativas como a Escola de Enfermagem, os programas de Residência Médica e a criação, em 1966, do primeiro curso de graduação em Ciências Biomédicas do Brasil. Em 1994, a Escola Paulista de Medicina foi transformada na Universidade Federal de São Paulo, dando origem à Unifesp.
Mesmo com a expansão da universidade para diferentes áreas do conhecimento e múltiplos campi, a EPM permaneceu como unidade de origem da Unifesp e como parte fundamental de sua memória acadêmica, científica e assistencial.
Livro dos 90 anos registra memória e projeta o caminho para o centenário
A celebração dos 93 anos também foi presenteada com a publicação Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo: 90 anos, obra comemorativa organizada pela EPM/Unifesp. Disponível no Repositório Institucional da Unifesp, a publicação reúne registros históricos, imagens e textos relacionados ao Simpósio Internacional 90 anos da Escola Paulista de Medicina, realizado na Unifesp entre 23 e 25 de maio de 2024.
O livro articula memória institucional e reflexão sobre os desafios contemporâneos da saúde. A publicação recupera marcos da trajetória da EPM, como a fundação da escola, a criação do Hospital São Paulo, a consolidação da formação em saúde e a transformação da instituição em universidade. Ao mesmo tempo, reúne debates sobre temas atuais, como emergência climática e saúde global, ciência da implementação no SUS, saúde digital, educação médica, desafios para as novas gerações e comunicação da ciência em situações de crise.
No texto de abertura da obra, a direção da EPM afirma que a celebração dos 90 anos não se limita ao resgate da memória institucional, mas também funciona como uma janela para os desafios e possibilidades que se colocam para a escola em sua aproximação com o centenário.
“A EPM chega aos 93 anos com uma história construída por muitas gerações e com a responsabilidade de seguir formando profissionais, produzindo conhecimento e contribuindo com o cuidado em saúde. Esta celebração também nos convida a pensar os próximos passos da escola em direção ao centenário”, afirma Magnus Dias, diretor da EPM/Unifesp.
Essa perspectiva dialoga com o sentido da Congregação de Celebração EPM 93 anos. A história da escola aparece associada não apenas aos marcos de sua fundação e consolidação, mas também às perguntas que orientam seu futuro: como formar profissionais de saúde diante das novas demandas sociais, como fortalecer o SUS, como incorporar tecnologias à formação e ao cuidado, como responder às mudanças climáticas e como aproximar ciência, universidade e sociedade.
Foto: Samantha Mucci
Rumo aos 100 anos
Aos 93 anos, a Escola Paulista de Medicina se aproxima de seu centenário com uma trajetória que atravessa diferentes momentos da história brasileira. Da fundação em 1933 à criação da Unifesp em 1994, da construção do Hospital São Paulo em 1940 à ampliação das áreas de ensino - Biomedicina em 1966, Fonoaudiologia em 1968, Ortóptica (hoje, Tecnología Oftálmica) em 1970, Tecnologia em Radiologia em 2009 e Tecnologia em Informática em Saúde em 2010 - e diversos centros de pesquisa, a instituição consolidou uma presença relevante na educação médica e na saúde pública do país.
A celebração realizada na última congregação ordinária (02/06/2026) reafirmou essa história como patrimônio coletivo da universidade, homenageando o professor Arary da Cruz Tiriba (101 anos), o mais longevo dos professores da EPM, formado em 1950, e também as ex-alunas, hoje professoras aposentadas, Francy Patrício (Medicina), Marília Smith (Biomedicina) e Jacy Perissinoto (Fonoaudiologia). Nessa ocasião, o diretor Magnus Dias e a vice-diretora Vanessa Abílio convidaram a reitora da Unifesp, Raiane Assumpção, e a vice-reitora, Lia Bittencourt, para prestigiarem a homenagem aos professores e a publicação do livro como registro histórico.
Ao rememorar datas históricas e professores importantes para a instituição, a efeméride também convidou a comunidade acadêmica a olhar para uma trajetória marcada pela relação entre conhecimento científico, prática assistencial e responsabilidade pública, às vésperas de um centenário atravessado por novos desafios para a universidade, para o SUS e para a sociedade brasileira.
A publicação Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo: 90 anos está disponível no Repositório Institucional da Unifesp.